quinta-feira, 28 de junho de 2012


CONTRIBUIÇÕES PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL NA ATUALIDADE
     
   Escola=reflexão
           
            Wallon propõe que a escola reflita acerca de suas dimensões sócio-políticas e apropria-se de seu papel no movimento de transformações da sociedade. Propõe uma escola engajada, inserida na sociedade e na cultura, e, ao mesmo tempo, uma escola comprometida com o desenvolvimento dos indivíduos, numa prática que integre a dimensão social e a individual.
            Sua psicologia genética, se utilizada como instrumento a serviço da reflexão pedagógica, oferece recursos para a construção de um prática mais adequada às necessidades e possibilidades de cada etapa do desenvolvimento infantil. A abrangência de seu objeto de estudo sugere que a educação deve ter por meta não somente o desenvolvimento intelectual, mas a pessoa como um todo.  Destacando o papel do meio social no desenvolvimento infantil, concede a escola como meio promotor de desenvolvimento, indicando direções para a organização do ambiente escolar.
            A perspectiva dialética que emprega no estudo dos fenômenos psíquicos instiga, no professor, uma atitude crítica e de permanente investigação sobre a prática cotidiana. Inspira um professor que, diante dos conflitos, não se contenta com respostas-padrão ou fórmulas esteriotipadas e mecânicas, mas busca compreender-lhes o significado desvelando a complexa trama dos fatoresque os condicionam.
            Wallon foi o primeiro a levar não só o corpo da criança mas também suas emoções para dentro da sala de aula.

ESTÁGIOS DO DESENVOLVIMENTO

Impulsivo-emocional: estágio predominantemente afetivo, onde as emoções são o principal instrumento de interação com o meio.

Sensório-motor e projetivo: nesse estágio destaca-se a construção da noção do “eu” através da qual a criança diferencia o mundo externo do seu próprio corpo.

Personalismo: consequência autoafirmativa deste estágio é crise negativista: a criança opõe-se sistematicamente ao adulto. Por outro lado, também se verifica uma fase de imitação motora e social.

Categorial: poder de abstração da mente da criança é consideravelmente amplificado.

Adolescência: estágio caracterizadamente afetivo, onde o indivíduo passa por uma série de conflitos internos e externos. Os grandes marcos desse estágio são a busca de auto-afirmação e o desenvolvimento da sexualidade.

            Os estágios de desenvolvimento não se encerram com a adolescência. Em verdade, para Wallon o processo de aprendizagem sempre implica na passagem por um novo estágio. O indivíduo, ante algo em relação ao qual tem imperícia, sofre manifestações afetivas que levarão a um processo de adaptação. O resultado será a aquisição de perícia pelo indivíduo. O processo dialético de desenvolvimento jamais se encerra.


REFERENCIAS: 


CARACTERÍSTICAS DA PROPOSTA DE WALLON 


            A gênese da inteligência para Wallon é genética e organicamente social, ou seja, “o ser humano é organicamente social e sua estrutura orgânica supõe a intervenção da cultura para se atualizar” (Dantas, 1992). Nesse sentido, a teoria do desenvolvimento cognitivo de Wallon é centrada na psicogênese da pessoa completa.


      A criança, para Wallon, é essencialmente emocional e gradualmente vai constituindo-se em um ser sócio-cognitivo. O autor estudou a criança contextualizada, como uma realidade viva e total no conjunto de seus comportamentos, suas condições de existência.



     Antes do surgimento da linguagem falada, as crianças comunicam-se e constituem-se como sujeitos com significado, através da ação e interpretação do meio entre humanos, construindo suas próprias emoções, que é seu primeiro sistema de comunicação expressiva.  Estes processos comunicativos-expressivos acontecem em trocas sociais como a imitação. Imitando, a criança desdobra, lentamente, a nova capacidade que está a construir (pela participação do outro ela se diferenciará dos outros) formando sua subjetividade. Pela imitação, a criança expressa seus desejos de participar e se diferenciar dos outros constituindo-se em sujeito próprio.




            A passagem dos estágios de desenvolvimento não se dá linearmente, por imitação, mas por reformulação, instalando-se no momento da passagem de uma etapa a outra, crises que afetam a conduta da criança.
            Psicogenética, essencialmente sociocultural e relativista, com forte lastro orgânico, a teoria de Wallon considera o desenvolvimento da pessoa completa integrada ao meio em que está imersa, com os seus aspectos afetivo, cognitivo e motor também integrados.
            A obra de Henri Wallon é perpassada pela idéia de que o processo de aprendizagem é dialético: não é adequado postular verdades absolutas, mas, sim, revitalizar direções e possibilidades.
            Uma das consequências desta postura é a crítica às concepções reducionistas: Wallon propõe o estudo da pessoa completa, tanto em relação a seu caráter cognitivo quanto ao caráter afetivo e motor. Para Wallon, a cognição é importante, mas não mais importante que a afetividade ou a motricidade.





            Baseou suas idéias em quatro elemento básicos que se comunicam o tempo todo: afetividade, emoções,  movimento e a formação do eu e o outro.


Afetividade e emoções:


As transformações fisiológicas em uma criança revelam traços importantes de caráter e personalidade. A emoção é altamente orgânica, altera a respiração, os batimentos cardíacos e até o tônus muscular, tem momentos de tensão e distensão que ajudam o ser humano a se conhecer.


Movimento:


A motricidade, portanto, tem caráter pedagógico tanto pela qualidade do gesto e do movimento quanto por sua representação. Conforme Wallon, a escola infelizmente insiste em imobilizar a criança numa carteira, limitando justamente a fluidez das emoções e do pensamento, tão necessária para o desenvolvimento completo da pessoa.

Formação do eu e o outro: 


A construção do eu na teoria de Wallon depende essencialmente do outro. Seja para ser referência, seja para ser negado. Principalmente a partir do instante em que a criança começa a viver a chamada crise de oposição, em que a negação do outro funciona como uma espécie de instrumento de descoberta de si própria. Isso se dá aos 3 anos de idade, a hora de saber que “eu” sou. “Manipulação, sedução e imitação do outro são características comuns nessa fase.

REFERÊNCIAS: 

GALVÃO, Izabel. Henri Wallon: Uma função dialética do desenvolvimento infantil. 17. ed. Rio de janeiro. Vozes, 2008.

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